sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Reflexões - Julho 2011

  
 Faltam três anos para a realização da Copa do Mundo de Futebol em nosso país. Em Porto Alegre, uma sub-sede do evento, já se percebe a preparação para ela. São obras viárias saindo do projeto, reformas e construção de estádios de futebol, ampliação, qualificação e diversificação das acomodações para turistas, preparação de pessoal para recepcioná-los... Percebe-se também, e há algum tempo vêm se intensificando, as “parcerias” entre a administração municipal e empresas privadas para a “revitalização” de espaços públicos. Entre outras, estão adoções como a das margens do Guaíba e da Redenção pela Pepsi-Cola, o Araújo Vianna pela Oppus e agora, os meios de comunicação comentam sobre ciclovias construídas com dinheiro de uma grande rede de supermercados.
Uma destas “parcerias” mexe com os interesses das artesãs dos artesãos de todo Rio Grande do Sul. É a Parceria Pública Privada (PPP), formalizada entre a Prefeitura Municipal de Porto Alegre e a Vompar, empresa representante da Coca-Cola aqui no estado. Visa a “revitalização” do Largo Glênio Peres, a duração é por dois anos e o investimento da Coca-Cola no local será de um milhão de reais. São aproximadamente sessenta e seis centavos de real, empregados pela empresa, por habitante da cidade.
É oportuno lembrar que o Largo Glênio Peres é um espaço central da cidade. Coração da Capital. Diariamente circulam por ali milhares de pessoas. Espaço único. Um recorte dos usos e costumes dos habitantes desta cidade grande. Local onde são realizados alguns eventos de exposição e comercialização de artesanato.
Pois bem, antes da “adoção” completar um ano de vida, antes mesmo do conjunto de obras previstos para o local ficar pronto, o Sindicato dos Artesãos foi impedido pela administração municipal de organizar ali o evento em comemoração a Semana do Artesão e, o Fórum Municipal de Economia Popular Solidária, teve grandes dificuldades para conseguir a liberação daquele espaço para a realização da Feira do Dia das Mães. Feira esta que é protegida por lei municipal.
Certamente todas estas transformações influenciarão nossas vidas de uma maneira ou de outra, umas mais outras menos, de agora para sempre. É para pensar.
No caso específico do Largo Glênio Peres, será um sinal do rumo que tomaram as relações artesãos/administração municipal? Estará a administração defendendo os interesses desta grande empresa, um dos grandes parceiros comerciais da FIFA, permitindo que apenas sua marca brilhe no coração da cidade, deixando de lado os interesses de outros setores populares da economia? O que você acha? Em sua opinião, este fato, toca de alguma maneira na sua condição de artesã/artesão e de cidadã/cidadão.
Já no Brique da Redenção, vamos trocar de camiseta. Sai o Visa e entra o Walmart. Finda um período de três anos em que o Brique teve o apoio do Visa. O indicado ao final de períodos como este seria a realização de uma avaliação. Com ela teríamos uma visão de onde evoluímos e até onde nossos interesses foram preservados, durante este tempo. Teríamos subsídios para que fossem evitados os mesmos erros, na fase do apoio do Walmart.
Como o Brique é um coletivo, a avaliação deveria ser coletiva. Opinião nossa, da ASSOCIARTE. Mas, não passou “do seria”, “do teríamos” ou “do deveria”... Não houve avaliação de nada! Absolutamente desnecessária! Desnecessária, também uma discussão prévia de como queremos o período Walmart. Parece que a vontade de opinar sobre as coisas do Brique sucumbiu.
Nossa entidade considera importante que cada um reflita e forme opinião sobre o que esta acontecendo. E você? Acha que a questão do apoio do Walmart foi bem encaminhada? Conhece a empresa? Tem interesse em participar do projeto? Você acha que a padronização das barracas foi positiva durante o apoio do Visa ou prefere a sua individualizada conforme suas necessidades? Você acha que o Brique ficou mais bonito de azul? Você acha que todos os apoiadores do Brique devem ser multinacionais?
Marco A. Darkiewicz
Artesão

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