O Correio do Povo traz em sua edição de segunda-feira, 23/6/12, uma
reportagem com manchete de capa, sobre o Brique da Redenção. Na matéria, um dos
membros da coordenação do evento aponta como causa principal de uma suposta
queda de vendas dos expositores, a campanha eleitoral. Conforme sua lógica,
muitos clientes tradicionais ou “compradores assíduos”, não comparecem ao
Brique neste período por temerem possíveis atritos entre militantes de partidos
diferentes.
Nós da diretoria da Associação de Artesãos do RS (ASSOCIARTE), entidade
com associados (as) que participam do Brique, viemos a público para expor nossa
opinião sobre o momento atual da feira e manifestar nossa estranheza em relação
à opinião divulgada. Para tanto é necessário que relembremos alguns fatos.
Em 1982, quando foi fundada a “Feira de Artesanato do Bom Fim” nosso
País encerrava um período histórico obscuro e iniciava a redemocratização. A
primeira eleição direta para governadores foi passo importante para isto. Aqui
no estado a campanha foi acirrada e o Brique da Redenção, nos finais de semana,
se transformava no principal palco desta disputa. De lá até agora, a cada dois
anos, o Brique vira palco de campanha. Já é uma tradição.
É oportuno salientar que o Brique
é Patrimônio Cultural do Estado, por abrigar várias manifestações culturais em
seu corpo, tais como artesanato, artes plásticas, antiguidades, teatro, música,
gastronomia, conta com o Zé da Folha, com o Homem do Gato, o desfile do Dia do
orgulho Gay, a Marcha das Vadias, dezenas de outras atrações e, também, as
campanhas políticas. Isto é indivisível. O Brique é a síntese da cidade. É a
exposição de seus costumes em uma constante troca.
Há muito as campanhas eleitorais
deixaram de ser acirradas. Deixar de ir ao Brique por causa dos atritos que as
campanhas políticas ainda poderiam causar é como deixar de ir ao cinema por se
sentir seguro somente em lugares iluminados.
Existem outros motivos, estes sim reais para que os frequentadores
assíduos deixem de comparecer ao Brique e esta ausência provoque a baixa nas
vendas. Alguns deles têm causas naturais, como a chuva e o frio, neste período
de inverno. A falta de estacionamento, também é uma delas. Mas, certamente, um dos
principais motivos é a descaracterização do Brique, produzida pelos
revendedores de mercadorias “made in China” que ocupam, numa fila dupla, pelo
menos 30% do espaço da “Feira de Artesanato do Bom Fim”. Espaço que poderia ser
ocupado por artesãos, em vez de revendedores. A Capital já tem local específico,
bem estruturado e muito bem localizado para a comercialização destas
mercadorias.
Desde o início da fase “BIG da Redenção”, há aproximadamente um ano,
nada se comenta sobre este espaço de revenda. O silêncio da comissão
deliberativa é total. Mas, todos os
expositores do primeiro canteiro são testemunhas das reclamações e da
indignação dos frequentadores tradicionais do Brique em relação a isto. Este
sim é um fato importante para a baixa das vendas no Brique.
O
pensamento do membro da comissão deliberativa, exposto no Correio do Povo, é
mais uma manobra para mudar o foco. A privatização dos mais diversos espaços
públicos da cidade, incluindo o Brique da Redenção, é algo grave e que não foi
devidamente debatido com a população e com os profissionais que expõem seus
trabalhos na feira. Este é o tema principal que deve ser tratado sobre a
realidade explorada na matéria e não as sazonalidades comuns dos ritmos das
vendas e atividades tradicionais como as campanhas.
Estranho que agora, dias antes da eleição para a comissão deliberativa
(?) do Brique e meses antes das eleições que definirão o prefeito da Capital, ficamos
sabendo pela imprensa, que temos um novo culpado pela diminuição das vendas: A
campanha eleitoral. Com período de culpabilidade estipulado em noventa dias.
Esta é a nossa opinião.
Diretoria da ASSOCIARTE