quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sobre o Brique


O Correio do Povo traz em sua edição de segunda-feira, 23/6/12, uma reportagem com manchete de capa, sobre o Brique da Redenção. Na matéria, um dos membros da coordenação do evento aponta como causa principal de uma suposta queda de vendas dos expositores, a campanha eleitoral. Conforme sua lógica, muitos clientes tradicionais ou “compradores assíduos”, não comparecem ao Brique neste período por temerem possíveis atritos entre militantes de partidos diferentes.
Nós da diretoria da Associação de Artesãos do RS (ASSOCIARTE), entidade com associados (as) que participam do Brique, viemos a público para expor nossa opinião sobre o momento atual da feira e manifestar nossa estranheza em relação à opinião divulgada. Para tanto é necessário que relembremos alguns fatos.   
Em 1982, quando foi fundada a “Feira de Artesanato do Bom Fim” nosso País encerrava um período histórico obscuro e iniciava a redemocratização. A primeira eleição direta para governadores foi passo importante para isto. Aqui no estado a campanha foi acirrada e o Brique da Redenção, nos finais de semana, se transformava no principal palco desta disputa. De lá até agora, a cada dois anos, o Brique vira palco de campanha. Já é uma tradição.  
 É oportuno salientar que o Brique é Patrimônio Cultural do Estado, por abrigar várias manifestações culturais em seu corpo, tais como artesanato, artes plásticas, antiguidades, teatro, música, gastronomia, conta com o Zé da Folha, com o Homem do Gato, o desfile do Dia do orgulho Gay, a Marcha das Vadias, dezenas de outras atrações e, também, as campanhas políticas. Isto é indivisível. O Brique é a síntese da cidade. É a exposição de seus costumes em uma constante troca.
 Há muito as campanhas eleitorais deixaram de ser acirradas. Deixar de ir ao Brique por causa dos atritos que as campanhas políticas ainda poderiam causar é como deixar de ir ao cinema por se sentir seguro somente em lugares iluminados.
Existem outros motivos, estes sim reais para que os frequentadores assíduos deixem de comparecer ao Brique e esta ausência provoque a baixa nas vendas. Alguns deles têm causas naturais, como a chuva e o frio, neste período de inverno. A falta de estacionamento, também é uma delas. Mas, certamente, um dos principais motivos é a descaracterização do Brique, produzida pelos revendedores de mercadorias “made in China” que ocupam, numa fila dupla, pelo menos 30% do espaço da “Feira de Artesanato do Bom Fim”. Espaço que poderia ser ocupado por artesãos, em vez de revendedores. A Capital já tem local específico, bem estruturado e muito bem localizado para a comercialização destas mercadorias.   
Desde o início da fase “BIG da Redenção”, há aproximadamente um ano, nada se comenta sobre este espaço de revenda. O silêncio da comissão deliberativa é total.  Mas, todos os expositores do primeiro canteiro são testemunhas das reclamações e da indignação dos frequentadores tradicionais do Brique em relação a isto. Este sim é um fato importante para a baixa das vendas no Brique.
O pensamento do membro da comissão deliberativa, exposto no Correio do Povo, é mais uma manobra para mudar o foco. A privatização dos mais diversos espaços públicos da cidade, incluindo o Brique da Redenção, é algo grave e que não foi devidamente debatido com a população e com os profissionais que expõem seus trabalhos na feira. Este é o tema principal que deve ser tratado sobre a realidade explorada na matéria e não as sazonalidades comuns dos ritmos das vendas e atividades tradicionais como as campanhas.
Estranho que agora, dias antes da eleição para a comissão deliberativa (?) do Brique e meses antes das eleições que definirão o prefeito da Capital, ficamos sabendo pela imprensa, que temos um novo culpado pela diminuição das vendas: A campanha eleitoral. Com período de culpabilidade estipulado em noventa dias.
Esta é a nossa opinião.  
                                                                                                          Diretoria da ASSOCIARTE

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Feira em Buenos Aires


Entre os dias 4 e 9 de dezembro deste ano será realizada, na Rural, em Buenos Aires, Argentina, mais uma edição da “Feria Internacional de Artesanías”. A feira é organizada pelo mesmo grupo que realiza a tradicional ”Feria Internacional de Artesanías” em Córdoba.
Os espaços de 5m²(2m de frente x 2,5m de fundo) para artesãos individuais custam u$s 185,00 (cento e oitenta e cinco dólares).
            O contato com os organizadores, para maiores informações e inscrição, pode ser feito pelo e-mail, artesanias@feriarg.com.ar ou pelo telefone/fax (54-011)4394-1113.  

terça-feira, 17 de julho de 2012

Retrocessos

E agora, a campanha eleitoral estará presente no nosso dia a dia até o final de outubro. Para qualquer lado que olharmos, lá está ela.

Pessoalmente considero as campanhas eleitorais importantes, pois trazem à tona discussões que em outros períodos não são feitas e, de uma forma ou outra, nos ajudam a refletir sobre as relações que estabelecemos no interior da sociedade que vivemos.  

Questiono nelas a falta de criatividade. Deus do céu! Um festival de repetições, de gosto quase sempre duvidoso. É preciso estar seriamente comprometido com a vontade de “mudar o mundo” para acompanhá-las. Por pelo menos noventa dias, a cada minuto, composições de palavras como “minha luta”, “minha busca”, “o novo”, “meu partido é a renovação”, “inovar” serão insistentemente jogadas ao ar e estarão estampadas por todos os lados, penetrando em nossos ouvidos e olhos com ou sem nossa permissão.

Se correr o bicho pega, se parar o bicho come. Um saco.

Mas, pelo menos no próximo pleito eleitoral teremos a oportunidade de dar o troco aos vereadores e vereadoras que retiraram as feiras de artesanato no Largo Glênio Peres quando aprovaram o PL 038/11 e mostrar-lhes que não esquecemos o prejuízo que causaram a centenas de artesãs, artesãos e a suas famílias. Os que votaram a favor do PL 038/11 mostraram o lado que estão.

Foi uma perda muito grande. Mesmo que me propusesse a analisar esta questão, tomado por uma enorme boa vontade para aceitar fatos contrários aos meus interesses, mesmo que acreditasse que o fim das feiras de artesanato no Largo não está relacionado com interesses econômicos dos parceiros comerciais da FIFA e que este fato não pode ser visto como um episódio da luta de classes, pois estaria sendo retrógrado ao ideologizar esta questão, mas ao contrário, acreditasse que os motivos reais para o fim destes eventos são a revitalização do centro, a modernidade, a contemporaneidade, algum desígnio divino, que este é o reflexo natural e inevitável do desenvolvimento ou que, construir um chafariz com águas dançantes é imprescindível para atrair turistas, mesmo assim ainda ficaria no ar uma pergunta: A Copa é em 2014. Qual o motivo de retirarem dali as feiras de artesanato ainda em 2011?

Perdemos muito, perdemos feio e o silêncio da categoria, antes da derrota que era previsível e depois dela, ficou muito parecido com acomodação. Mas, para mostrar ao menos alguma irresignação, uma revolta mínima que seja, sugiro que cada colega antes de exercer o direito ao voto em outubro informe-se quem votou a favor da PL 038/11 e junto com sua família e amigos, faça uma campanha contra eles, usando todos os meios ao seu alcance.

Olho por olho, dente por dente. Claro, “sem perder a ternura jamais”.   

A perda de espaços de comercialização não acontece somente na esfera municipal, em Porto Alegre. Este ano o Programa Gaúcho do Artesanato não permitiu a participação direta de artesãos no estande do Rio Grande do Sul, na FENNEARTE realizada no inicio de julho, em Olinda, Pernambuco. Os trabalhos expostos no estande foram comercializados por funcionários do Programa.

Além do prejuízo financeiro causado àqueles que pretendiam participar diretamente do evento, houve ainda o prejuízo profissional, pois feiras como a FENNEARTE propiciam o encontro com artesãos de outros lugares e a troca de informações com eles. Mais um retrocesso.

M.A.Darkiewicz 

Curso de espanhol

    Nos primeiros dias do segundo semestre a ASSOCIARTE vai iniciar as inscrições para um curso de espanhol para artesãos.
    O curso que é parte do projeto "Eu falo outras línguas", visa melhorar o atendimento dado pelos (as) artesãos (ãs) aos turistas estrangeiros que visitam as feiras de artesanato realizadas nas ruas da região metropolitana de Porto Alegre, é fruto de  uma parceria da ASSOCIARTE com o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (Antiga Escola da UFRGS) e tem o apoio da ONG Moradia e Cidadania(ONG dos funcionários da Caixa Federal).
    O projeto também prevê cursos de inglês.
    Todos os cursos serão gratuitos.
    Aguarde, em breve estaremos informando a data do início das inscrições.