terça-feira, 17 de julho de 2012

Retrocessos

E agora, a campanha eleitoral estará presente no nosso dia a dia até o final de outubro. Para qualquer lado que olharmos, lá está ela.

Pessoalmente considero as campanhas eleitorais importantes, pois trazem à tona discussões que em outros períodos não são feitas e, de uma forma ou outra, nos ajudam a refletir sobre as relações que estabelecemos no interior da sociedade que vivemos.  

Questiono nelas a falta de criatividade. Deus do céu! Um festival de repetições, de gosto quase sempre duvidoso. É preciso estar seriamente comprometido com a vontade de “mudar o mundo” para acompanhá-las. Por pelo menos noventa dias, a cada minuto, composições de palavras como “minha luta”, “minha busca”, “o novo”, “meu partido é a renovação”, “inovar” serão insistentemente jogadas ao ar e estarão estampadas por todos os lados, penetrando em nossos ouvidos e olhos com ou sem nossa permissão.

Se correr o bicho pega, se parar o bicho come. Um saco.

Mas, pelo menos no próximo pleito eleitoral teremos a oportunidade de dar o troco aos vereadores e vereadoras que retiraram as feiras de artesanato no Largo Glênio Peres quando aprovaram o PL 038/11 e mostrar-lhes que não esquecemos o prejuízo que causaram a centenas de artesãs, artesãos e a suas famílias. Os que votaram a favor do PL 038/11 mostraram o lado que estão.

Foi uma perda muito grande. Mesmo que me propusesse a analisar esta questão, tomado por uma enorme boa vontade para aceitar fatos contrários aos meus interesses, mesmo que acreditasse que o fim das feiras de artesanato no Largo não está relacionado com interesses econômicos dos parceiros comerciais da FIFA e que este fato não pode ser visto como um episódio da luta de classes, pois estaria sendo retrógrado ao ideologizar esta questão, mas ao contrário, acreditasse que os motivos reais para o fim destes eventos são a revitalização do centro, a modernidade, a contemporaneidade, algum desígnio divino, que este é o reflexo natural e inevitável do desenvolvimento ou que, construir um chafariz com águas dançantes é imprescindível para atrair turistas, mesmo assim ainda ficaria no ar uma pergunta: A Copa é em 2014. Qual o motivo de retirarem dali as feiras de artesanato ainda em 2011?

Perdemos muito, perdemos feio e o silêncio da categoria, antes da derrota que era previsível e depois dela, ficou muito parecido com acomodação. Mas, para mostrar ao menos alguma irresignação, uma revolta mínima que seja, sugiro que cada colega antes de exercer o direito ao voto em outubro informe-se quem votou a favor da PL 038/11 e junto com sua família e amigos, faça uma campanha contra eles, usando todos os meios ao seu alcance.

Olho por olho, dente por dente. Claro, “sem perder a ternura jamais”.   

A perda de espaços de comercialização não acontece somente na esfera municipal, em Porto Alegre. Este ano o Programa Gaúcho do Artesanato não permitiu a participação direta de artesãos no estande do Rio Grande do Sul, na FENNEARTE realizada no inicio de julho, em Olinda, Pernambuco. Os trabalhos expostos no estande foram comercializados por funcionários do Programa.

Além do prejuízo financeiro causado àqueles que pretendiam participar diretamente do evento, houve ainda o prejuízo profissional, pois feiras como a FENNEARTE propiciam o encontro com artesãos de outros lugares e a troca de informações com eles. Mais um retrocesso.

M.A.Darkiewicz 

Um comentário:

Josife disse...

Tu sabes os motivos que levaram a não participação dos artesãos na feira de Olinda???

Questione o Programa do Artesanato Brasileiro...... E o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC)......

Terás uma grande surpresa ao saber que o que não permitiu não foi a Fundação, e sim, ATITUDES de alguns artesãos que TU CONHECE BEM, que prejudicaram mais de 70.000 artesãos do Estado do Rio Grande do Sul nas demais feiras com o mesmo cunho que a Fennearte e maiores....

Sinto muito Marco, mas está errado na tua afirmação....