E
agora, a campanha eleitoral estará presente no nosso dia a dia até o final de
outubro. Para qualquer lado que olharmos, lá está ela.
Pessoalmente
considero as campanhas eleitorais importantes, pois trazem à tona discussões
que em outros períodos não são feitas e, de uma forma ou outra, nos ajudam a
refletir sobre as relações que estabelecemos no interior da sociedade que
vivemos.
Questiono
nelas a falta de criatividade. Deus do céu! Um festival de repetições, de gosto
quase sempre duvidoso. É preciso estar seriamente comprometido com a vontade de
“mudar o mundo” para acompanhá-las. Por pelo menos noventa dias, a cada minuto,
composições de palavras como “minha luta”, “minha busca”, “o novo”, “meu
partido é a renovação”, “inovar” serão insistentemente jogadas ao ar e estarão
estampadas por todos os lados, penetrando em nossos ouvidos e olhos com ou sem
nossa permissão.
Se
correr o bicho pega, se parar o bicho come. Um saco.
Mas,
pelo menos no próximo pleito eleitoral teremos a oportunidade de dar o troco
aos vereadores e vereadoras que retiraram as feiras de artesanato no Largo
Glênio Peres quando aprovaram o PL 038/11 e mostrar-lhes que não esquecemos o
prejuízo que causaram a centenas de artesãs, artesãos e a suas famílias. Os que
votaram a favor do PL 038/11 mostraram o lado que estão.
Foi
uma perda muito grande. Mesmo que me propusesse a analisar esta questão, tomado
por uma enorme boa vontade para aceitar fatos contrários aos meus interesses,
mesmo que acreditasse que o fim das feiras de artesanato no Largo não está
relacionado com interesses econômicos dos parceiros comerciais da FIFA e que
este fato não pode ser visto como um episódio da luta de classes, pois estaria
sendo retrógrado ao ideologizar esta questão, mas ao contrário, acreditasse que
os motivos reais para o fim destes eventos são a revitalização do centro, a
modernidade, a contemporaneidade, algum desígnio divino, que este é o reflexo
natural e inevitável do desenvolvimento ou que, construir um chafariz com águas
dançantes é imprescindível para atrair turistas, mesmo assim ainda ficaria no
ar uma pergunta: A Copa é em 2014. Qual o motivo de retirarem dali as feiras de
artesanato ainda em 2011?
Perdemos
muito, perdemos feio e o silêncio da categoria, antes da derrota que era
previsível e depois dela, ficou muito parecido com acomodação. Mas, para mostrar ao
menos alguma irresignação, uma revolta mínima que seja, sugiro que cada colega
antes de exercer o direito ao voto em outubro informe-se quem votou a favor da
PL 038/11 e junto com sua família e amigos, faça uma campanha contra eles,
usando todos os meios ao seu alcance.
Olho
por olho, dente por dente. Claro, “sem perder a ternura jamais”.
A
perda de espaços de comercialização não acontece somente na esfera municipal,
em Porto Alegre. Este ano o Programa Gaúcho do Artesanato não permitiu a
participação direta de artesãos no estande do Rio Grande do Sul, na FENNEARTE
realizada no inicio de julho, em Olinda, Pernambuco. Os trabalhos expostos no
estande foram comercializados por funcionários do Programa.
Além
do prejuízo financeiro causado àqueles que pretendiam participar diretamente do
evento, houve ainda o prejuízo profissional, pois feiras como a FENNEARTE
propiciam o encontro com artesãos de outros lugares e a troca de informações
com eles. Mais um retrocesso.
Um comentário:
Tu sabes os motivos que levaram a não participação dos artesãos na feira de Olinda???
Questione o Programa do Artesanato Brasileiro...... E o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC)......
Terás uma grande surpresa ao saber que o que não permitiu não foi a Fundação, e sim, ATITUDES de alguns artesãos que TU CONHECE BEM, que prejudicaram mais de 70.000 artesãos do Estado do Rio Grande do Sul nas demais feiras com o mesmo cunho que a Fennearte e maiores....
Sinto muito Marco, mas está errado na tua afirmação....
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